A DANÇA DAS ABELHAS
Um
dia desses fui convidado por um amigo a passar um fim de semana no seu sítio em
Atibaia no interior de São Paulo. Estava mesmo precisando dar uma passeada e
como apreciador da natureza, não pensei duas vezes.
Já
no sítio, resolvi dar umas voltas pelo bosque, que por sinal era muito bonito,
com muitas árvores de porte médio, algumas bem altas, enfim, uma maravilha.
Eu estava me sentindo
como um verdadeiro explorador da natureza, não fosse uma dor de barriga que me
tomou de sobressalto, me obrigando a recorrer a uma prática quase em extinção
nos dias atuais. Enquanto me aliviava, observei ao longe uma colmeia de abelhas
no seu laborioso trabalho de recolher o néctar.
Eu havia lido durante o meu curso de Letras, uma
matéria muito interessante sobre as abelhas, escrita por um especialista em
linguística. O teórico, observou o comportamento das abelhas e descobriu
que elas se comunicavam através de um
ritual parecido com uma dança. Uma vez encontrado o alimento, a abelha retorna
à colmeia e faz aquele ritual que indica o local onde está a fonte de mel.
Naquele exato momento
eu estava assistindo aquela prática. Notei que a abelha andava para frente,
para o lado, para trás e assim por diante. Fiquei sobremaneira maravilhado.
Considerando a minha,
sorte de poder presenciar aquilo, me aproximei um pouco mais para poder ver
melhor. Percebi que a abelha que reproduziu a dança já havia ido embora, mas as
abelhas continuavam vindo àquele lugar antes de voar ao trabalho. Foi então que
cheguei bem perto e notei uns minúsculos riscos em uma folha verde. Aquilo me
aguçou ainda mais a curiosidade. Fiquei impressionadíssimo. Não quero aqui pôr
em dúvida o teórico que afirmou se tratar de uma dança das abelhas o método de
comunicação mas aquilo me pareceu um mapa. Não resisti a tentação, peguei um
espinho e fiz umas modificações nos riscos que havia na folha e logo percebi que as abelhas
começaram a voar em outra direção. Para o local onde a barriga me apertou para
ser mais preciso.
Foi trágico. Vi quando a rainha começou a
cortar o pescoço das operárias que lhe traziam aquele material desagradável.
Eu não sabia se ria ou
se chorava diante da situação.
Foi então que percebi
que uma abelha se aproximou de mim e começou me rodear. Por medida de
segurança, achei melhor me retirar. Depois de uma boa carreira, cheguei ao
portão do sítio e dei uma parada para respirar. Qual foi a minha surpresa ao
perceber que a danada da abelha ainda estava a me seguir.
Apesar de não me
picar, percebi que ela observava o entorno, e se deteve um pouco mais à frente
do número que havia em uma plaquinha presa ao portão. Depois foi embora.
Não sou bobo. Percebi
a intenção dela. Eu precisava agir rápido.
Curiosamente, ao lado
do sítio do meu amigo havia uma outro sítio onde quase não se via os moradores
e os portões eram muito próximos um do outro.
O sítio do meu amigo
era o de número doze e o do vizinho era o treze. Eu troquei as placas para ver
no que dava. Depois corri para dentro da casa de onde pouco depois pude ouvir
um zunido muito forte passando.
Na segunda-feira, já
em casa, vi o seu Luis Ignácio dando uma entrevista para um jornal na tv e
notei que estava todo cheio de hematomas no rosto.
Não
pude deixar de me lembrar das abelhas.